Resina Bisacrílica – Infinitas Possibilidades

E aí pessoal, chegando aqui no meu terceiro artigo para o Blog CEO Group. Vejo que a repercussão tem sido muito positiva, entretanto, tenho recebido muito feedback através de contato pessoal, via WhatsApp, Messenger, e-mail, sinal de fumaça ou qualquer forma de comunicação possível. Confesso que por telepatia não consegui receber nenhum elogio ou crítica ainda e, se receber, vou começar a ficar preocupado comigo mesmo!!! Kkkk. Por que esse breve preâmbulo? Exatamente para contar uma NOVIDADE. A partir de agora os comentários poderão ser feitos logo após a leitura do artigo e isso vai FACILITAR muito a INTERAÇÃO através de perguntas, críticas ou considerações, o que poderá nos fazer evoluir juntos, senão relembro aqui uma frase que coloquei como lema no primeiro artigo e repeti no segundo:

 

“Eu, Sandro Bon, não pretendo que meus caros leitores apenas reproduzam as técnicas ou dicas aqui abordadas; mas, fundamentalmente, que façam uma análise crítica sobre o assunto para que possamos debater e evoluirmos juntos”. 

 

Gostaria de fazer um disclosure antes de falar sobre o assunto de hoje:

 

“Declaro NÃO ter recebido qualquer tipo de vantagem financeira ou similar por parte de fabricantes dos produtos que por ventura eu venha citar no artigo e, portanto, qualquer elogio, crítica ou comparação é advindo apenas da minha experiência clínica pessoal, o que pode não condizer com a realidade clínica de outros colegas e que não valida ou invalida qualquer opinião contrária”.

 

Mais uma vez vou iniciar um artigo com uma AFIRMAÇÃO:

 

“Resina bisacrílica é um tipo de material que revolucionou minha maneira de fazer restaurações provisórias, simplesmente porque é fácil, rápido e independe da habilidade técnica do operador, além de abrir infinitas possibilidades”.

 

Atrelado à afirmação supracitada, posso garantir que esse material abre inúmeras possibilidades para os mais variados procedimentos odontológicos, sobre os quais pretendo abordar alguns até o final deste artigo.

 

1 – RESTAURAÇÕES PROVISÓRIAS

 

Existem muitas técnicas para confecção de restaurações provisórias e a mais temível de todas para aqueles colegas que não são protesistas, em especial, é a famosa técnica da bolinha em resina acrílica autopolimerizável, simplesmente porque o dentista tem que construir um dente a partir de uma massa amorfa de resina que, além de conhecimento de anatomia e instrumentais adequados (brocas, borrachas, etc), exige habilidade e treinamento para um resultado final que restabeleça função, estética e adequado acabamento e polimento. Posso garantir com toda certeza do mundo que a resina bisacrílica ACABOU com esse estresse para muitos e ainda digo mais… até quem não é dentista, embora não seja permitido, consegue fazer uma provisória unitária!!! Sim, isso mesmo que eu quis dizer… Não é “conto do vigário”. Qualquer dentista, seja lá de qual especialidade for, fica habilitado a confeccionar restauração provisória de coroa total unitária em apenas 15 minutos. 

 

Diante disso posso garantir que cerca de 90% das restaurações provisórias que confecciono hoje no meu dia a dia são feitas com resina bisacrílica. E aí? Não é um produto revolucionário? Além disso, pela rapidez que eu confecciono a restauração provisória me possibilitou ganhar 1 consulta (de 1 hora) no processo de confecção de uma CT, senão vejamos:

 

1.1 – Restauração provisória com resina acrílica autopolimerizável

  • 1ª consulta: núcleo de preenchimento ou cimentação de pino de fibra de vidro (PFV);
  • 2ª consulta: Preparo protético (15 a 20 min) + provisória com resina acrílica aliviada e reembasada, acabada, polida e cimentada (40 min);
  • 3ª consulta: Refinamento do preparo + reembasamento da provisória;
  • 4ª consulta: Moldagem;
  • 5ª consulta: Prova do casquete – tem gente que ainda prova casquete!!! Só não entendo o por quê, mas posso garantir: você não preparou adequadamente, não moldou com precisão, ou seu laboratório é ruim mesmo e estragou tudo que você fez certo!!! Talvez seja melhor avaliar o que está de errado nesse processo. O prof. Raphael Monte Alto diz que o resultado de um trabalho protético NÃO corresponde a MÉDIA ARITMÉTICA entre a qualificação profissional do dentista e do Técnico em Prótese Dental (TPD). A culpa pode ser sua ou do laboratório, mas nenhuma das duas situações merecem prevalecer!!! Se o erro é prevalentemente do laboratório, troque de laboratório, mas se o erro é seu, procure se aprimorar porque previsibilidade faz parte da precificação da sua hora clínica. Se não abriu os olhos para isso sugiro ler os artigos ou cursos de gestão do Eduardo Picanço;
  • 6ª consulta: Prova, ajuste e cimentação da CT. Ainda existe laboratório que envia a CT sem glaze para o dentista ajustar pontos de contato proximais e oclusais, retornar ao laboratório para finalização do trabalho (glaze), o que vai te custar mais uma consulta. Novamente sugiro reavaliar o laboratório que cobra mais barato e está repassando, silenciosamente, o “preço” para sua hora clínica!!!

 

1.2 – Restauração provisória com resina bisacrílica

Considerando que eu e a maioria dos dentistas não tem um escâner disponível e que trabalha em seu dia a dia com procedimentos de prótese/dentística de maneira convencional, digo que todo meu processo de confecção de uma coroa total se resume a 3 consultas de 1 hora, a saber:

  • 1ª consulta: núcleo de preenchimento ou cimentação de pino de fibra de vidro (15 min) + preparo (30 min) + provisória (15 min);
  • 2ª consulta: moldagem;
  • 3ª consulta: ajuste + cimentação da coroa total.

 

Juntar na mesma consulta (1 h) núcleo de preenchimento ou PFV + preparo bem definido + provisória, só é possível com a resina bisacrílica pelo seguinte: 

  1. resina bisacrílica é uma resina de baixa contração e por isso não exige reembasamento;
  2. tempo total de polimerização (5 min), mas a partir de 1 minuto já pode ser retirado da boca para remoção dos excessos, acabamento e polimento. Recomendação dos fabricantes: passar uma gaze com álcool para remover a superfície “gordurosa” característica do material. Dica do Sandro Bon, remova a superfície engordurada com álcool borrifado e lave na sequência, remova os excessos cervicais com uma roda de borracha de peça de mão para acabamento de cerâmica e o polimento faça com roda de feltro seca, na peça de mão ou motor elétrico de bancada!!! Como as características do material se assemelham demais à resina composta, esse procedimento dá um acabamento com brilho fantástico;
  3. a forma de apresentação da resina bisacrílica é tipo pasta-pasta, vem em cartucho com 2 tubos unidos semelhante a base leve de silicone de adição; embora alguns fabricantes possuem versão compacta, é misturado também através de uma ponta misturadora, quando o êmbolo da pistola injeta as 2 pastas simultaneamente na ponta e, após a automistura, já sairá pronto para uso com uma fluidez que permite excelente cópia do preparo protético, o qual não deve conter retenções mecânicas. Sendo assim, NÃO há necessidade de isolar o preparo, deixando apenas umedecido com água; mas, se sentir mais seguro isolando, utilize um isolante à base de água ao invés de vaselina. Detalhe importantíssimo: pela fluidez do material, ele nunca deverá ser dispensado apenas sobre o preparo, mas sim dentro de uma muralha em silicone obtida previamente ao preparo, sobre o próprio dente, caso a anatomia do mesmo esteja adequada ou sobre um enceramento diagnóstico. Pulo do gato, faço sempre a muralha na boca, mesmo que a anatomia do dente não esteja adequada!!! Como faço? Simples. Pego uma resina composta e, sem fazer qualquer procedimento adesivo, reconstruo a anatomia adequada do dente, fotopolimerizo e já está pronto para obter a muralha em silicone. Dica de silicone é utilizar apenas a base pesada do Clonage (DFL®), com o catalizador é claro…É bom alertar porque certa vez uma aluna usou só a base pesada sem o catalizador… kkkk. Aí eu perguntei quanto tempo ela pretendia ficar esperando o material tomar presa…kkkk. Aí ela se tocou. Voltando ao raciocínio, uso e indico o Clonage porque é um silicone de condensação de baixo custo que tem excelente capacidade de copiar só com a base pesada e depois da presa fica bem rígido!!! Pode utilizar outro silicone? Claro que sim. O clonage foi apenas uma dica do que eu uso.
  4. Caso dê alguma bolha na resina bisacrílica, vai mais uma dica: depois de borrifar o álcool, lavar e secar, preencha com resina composta e fotopolimerize!! Pronto. Se a bolha for muito expulsiva, entre com uma broquinha diamantada para fazer retenção mecânica, aplique adesivo dentinário e resina composta foto. Essa dica vale um chope, não vale? Então quem quiser me pagar mais um chope leia a próxima dica: As resinas bisacrílicas vem em cores conforme escala Vita, então precisamos ter várias cores em nosso estoque? Claro que não. Tenho 2 cores em uso já que utilizo muito, uma para dentes clareados e outra cor A3, mas para CT isolada de dente anterior eu faço a provisória, realizo um cut back com broca diamantada e, pelo mesmo princípio descrito anteriormente, aplico adesivo e utilizo uma resina composta da cor desejada nos casos de maior exigência estética.

 

Existem vários fabricantes de resina bisacrílica com propriedades semelhantes, porém com algumas particularidades. Por exemplo, o Luxatemp (DMG®) foi a primeira resina bisacrílica que usei e que fiquei encantado por tudo que já descrevi aqui no artigo, mas assim como o Protemp (3M®) precisa de uma pistola específica cujo êmbolo esteja na proporção 10:1. Outras empresas lançaram o produto na proporção 1:1, como o Structur (Voco®) que possibilita utilizar a mesma pistola universal utilizada para a base leve do silicone de adição. Detalhe, as pontas misturadoras das resinas 10:1 ou 1:1 são diferentes, que por sua vez também são diferentes da ponta misturadora do silicone de adição leve, apesar de possuírem o mesmo tipo de encaixe no cartucho. Certa vez, o professor pardal aqui, foi pegar a ponta misturadora do Structur e tinha acabado. Utilizei a ponta amarela universal de automistura + a pontinha aplicadora da base leve e mandei brasa!!! Funcionou. Talvez porque o structur seja 1:1, mas apesar da emergência, não aconselho repetir esse procedimento, até porque se gasta mais material com a ponta amarela. Na “onça”, como se diz na Marinha, eu consegui me “safar” desse jeito. Como característica ótica entre esses 3 produtos citados, o Luxatemp e o Structur são mais translúcidos que o Protemp se comparadas as mesmas cores, mas como diferença clínica, não vi vantagens de um produto sobre o outro, então sugiro ir pelo preço e prazo de validade. Existem resinas bisacrílicas que ainda não testei, mas a Yprov Bisacryl (Yller®) acabei de comprar e já me disseram ser péssima. Só posso dizer depois que testar, assim como quero testar a Primma art (FGM®) que acaba de ser lançada no mercado, porém existem vários outros fabricantes. Ontem, em um grupo de WhatsApp que participo com formadores de opinião e dentistas em geral, alguns relataram estar encontrando problemas de falta de polimerização com o Protemp (3M®), o que não aconteceu comigo quando usei.

 

Limitação maior desse tipo de material está relacionado à resistência à fratura, portanto, para se utilizar em pontes parciais fixas (PPF) em regiões posteriores da boca, com espaço maior que 1 pôntico suspenso ou com área de conector proximal restrita pode haver fratura da provisória. Nessas situações, se precisar de maior tempo de permanência em boca, talvez seja melhor utilizar resina acrílica, assim como nos casos extensos de reabilitação oral, em especial, nos casos de restabelecimento de dimensão vertical em pacientes com bruxismo/apertamento vale a resina acrílica termopolimerizável produzida em laboratório ou PMMA fresada em CAD-CAM. Para CT unitária, mesmo que sejam várias, eu não abro mão das resinas bisacrílicas.

 

  1. MOCK UP E GUIAS DE ORIENTAÇÃO PARA PREPAROS DE LAMINADOS

Uma técnica desenvolvida por Galip Gurel, chamada de técnica do enceramento aditivo, muito bem descrita no livro do Pascal Magne, possibilitou uma nova abordagem para preparos dos dentes candidatos a receberem laminados cerâmicos, preservando mais esmalte como substrato e, consequentemente, maior longevidade dessa modalidade de tratamento estético. A resina bisacrílica participa ativamente desse processo à medida que possibilita realizar o mock up, com auxílio de uma muralha de silicone produzida sobre o enceramento diagnóstico aditivo. Nesse caso, sugiro usar um silicone de adição para copiar bem os detalhes do enceramento que será importante para diagnóstico e motivação do paciente antes mesmo de iniciar o tratamento. Na sequência, também será importante para orientar/controlar a quantidade de desgaste dos dentes para receberem os laminados cerâmicos, muitas vezes ultrafinos, assim como servirá para a confecção da restauração provisória. Não vou me aprofundar nesse assunto aqui, pois não é o objetivo, mas apenas para demonstrar o quanto a resina bisacrílica encontra outras funcionalidades.

 

Quando eu estava fazendo o mestrado na UFF, a Isleine, que havia sido minha aluna no curso de especialização de prótese da UERJ, dividia as cadeiras escolares no mestrado e escreveu um artigo sobre resinas bisacrílicas e que, gentilmente, incluiu meu nome no artigo, talvez por gratidão, sei lá, mas ela escreveu o artigo sem minha ajuda, então fica aqui meu reconhecimento por aumentar minha pífia produção científica!!! Vale a leitura para quem quiser se aprofundar mais no assunto. Só me pedir a cópia do artigo que eu envio.

 

  1. TRANSFERÊNCIA DE IMPLANTES

Nos casos de protocolo, no momento da transferência da posição dos implantes para o modelo de trabalho, costumamos nos utilizar de transferentes de moldagem para moldeira aberta, uní-los com fio dental e acrescentar resina acrílica tipo Pattern Resin (GC®) pois possui baixa concentração. A resina bisacrílica serve para esse fim também e de maneira muito mais rápida.

 

  1. CICATRIZADORES PERSONALIZADOS SOBRE IMPLANTES

Após exodontia com instalação imediata de implante, porém sem carga imediata tem se adotado a instalação de cicatrizadores personalizados para auxiliar no processo de cicatrização e maturação dos tecidos peri-implantares. Um dos materiais que pode ser utilizado para esse fim também é a resina bisacrílica sobre um pilar provisório. No momento de fazer a personalização de um transferente de moldagem para copiar o perfil de emergência conseguido por uma restauração provisória ou de um cicatrizador personalizado a resina bisacrílica pode novamente ser utilizada.

 

Concluindo, percebemos a infinidade de aplicação clínica desse material.

 

Caro? Não mesmo, talvez você que não esteja precificando direito a sua hora clínica.

 

Grande abraço e até o próximo artigo!!!

 

Ops… Retomando o início do artigo, espero vocês nos comentários logo aqui abaixo….então até já!!!

 

Sandro Bon
Prof. Coordenador curso CCOI – CBMERJ
Especialista em Prótese Dentária – UERJ
Atualização em Implantodontia – SI
Mestre em Clínica Odontológica – UFF
E-mail: sandrobon73@gmail.com
Instagram: @sandro.bon