O tratamento periodontal é seguro para pacientes com doenças cardiovasculares?

A coluna de hoje trata das complicações do tratamento periodontal em pacientes com doenças cardiovasculares. No post anterior, exploramos os efeitos da terapia periodontal sobre essa doenças.

 

Afinal, existe risco cardiovascular para pacientes submetidos à terapia periodontal? 

 

Essa é uma das questões levantadas pelo Consenso sobre Periodontite e Doenças Cardiovasculares (2020). Os autores concluem que NÃO há evidência de que os procedimentos do tratamento periodontal aumentariam o risco de uma intercorrência cardiovascular.

 

O grupo de autores desse Consenso internacional concluiu que o tratamento periodontal é seguro em relação ao risco cardiovascular, inclusive em pacientes com doença cardiovascular já estabelecida.

 

E o risco para sangramento peri-operatório na realização da terapia periodontal?

 

O tratamento periodontal consiste em inúmeros procedimentos com diferentes riscos de sangramento. Entretanto, a maioria apresenta baixo risco de sangramento, que pode ser controlado por procedimentos de hemostasia.

 

O risco de sangramento peri-operatório varia de acordo com a extensão e invasividade do tratamento periodontal realizado. 

 

Procedimentos considerados de risco baixo, com frequência de sangramento pós-operatório menor que 1%, são: polimento supragengival, tratamento periodontal não-cirúrgico, tratamento periodontal cirúrgico convencional (conservador, ressectivo ou regenerativo), exodontias e instalação de implantes.

 

Os considerados de risco moderado, com frequência de sangramento pós-operatório entre 2-5%, são procedimentos de maiores magnitudes, que envolvem ganho ósseo autógeno, como enxertos em bloco, elevação de seio maxilar e procedimentos com cicatrização por segunda intenção, como enxerto gengival livre.

 

O Consenso explica ainda, que para os pacientes que usam medicamentos antiagregantes plaquetários e anticoagulantes, as evidências mostram que o sangramento gerado em muitos dos procedimentos periodontais poderá ser controlado com medidas de hemostasia local. 

 

Por aqui, fazemos a sugestão que cada caso seja avaliado individualmente e em colaboração com o médico que prescreveu o medicamento para o paciente, na tomada de decisão pela suspensão ou não, previamente aos procedimentos periodontais.

 

O tratamento periodontal é, portanto, seguro em relação ao risco cardiovascular, inclusive em pacientes com doença cardiovascular já estabelecida. É importante analisar todos os aspectos de saúde dos pacientes, bem como as medicações de uso rotineiro. A comunicação com os médicos que cuidam dos pacientes é fundamental para o cuidado integral em saúde.